Inventar o futuro

 
A pandemia teve o dom de nos confrontar de forma muito clara com o tempo. Com a contradição de parecer que o tempo não passou e/ou que passou a correr. Trouxe-nos o medo real de não haver mais futuro e de estarmos presos num presente de catástrofe. Ainda aí estamos, já aí estávamos antes da pandemia. Mas talvez com esta experiência tudo se torne mais claro. Mais urgente. Precisamos alterar o tempo, interromper a catástrofe presente, do tempo formal, da mera repetição, homogéneo e vazio, próprio da visão linear da história. Precisamos lançar-nos, com astúcia e coragem, em busca do tempo histórico pleno, para combater a barbárie e superar a passividade. Precisamos de construir outro tempo, onde caiba a palavra futuro.
 
A temporada abre sob este desígnio, na OMT com jovens alunos de Teatro e Educação a entrar numa nova fase das suas vidas e, em Belmonte, a Rede Artéria a encerrar os seus trabalhos insistindo em discutir, a partir do que descobriu, a invenção de outro tempo. Abrimos espaços e tempos para outros okuparem o teatro, desta vez dando a conhecer a Terra Amarela. Desenhamos vontade de futuro com um ciclo de programação de estruturas profissionais Do Centro. Escancaramos as portas para aqueles que também querem acabar com esta lógica de tempo, seja o Emicida ou o Luís Varatojo. Insistimos em mudar logicas e tempos nas Classes de Tetro, nas sessões de Teatro e Memória, e do projeto A Meu Ver, no ciclo de formação Aluvião, ou no projeto DE PORTAS ABERTAS. E vamos a palco com um novo espetáculo, dispostos a não nos rendermos ao que já sabemos, mas a trabalhar para o que ainda não sonhamos.