© 2026 Teatrão – Companhia de Teatro, Coimbra
Catarina, Cleo, António e João são quatro amigos que, apesar dos apesares, e mesmo estando perante um mundo a tremer em tempos cólera, se amam. Embalados pelo som de guitarras a alto volume, vão-nos fazendo testemunhas da história do seu amor – uma história a germinar verdejante entre as ruínas que nos cercam. A sua paixão – como é próprio de todas as paixões – incendeia corpos e revoluções, cria e destrói – leva tudo de arrasto. Todos os apaixonados afinal são Romeus e Julietas a saltarem abraçados para um abismo sem fundo, a acreditar que a queda irá durar tempo suficiente para mais um beijo, só mais um.
É esta esperança que junta Teatrão e Terra Amarela em 96 Decibéis. Esta nova cocriação é uma história de amor e desejo criada para todas as idades a partir dos 14 anos e começa a encher corações no dia 27 de março – Dia Mundial do Teatro –, na OMT. O espetáculo conta com encenação do Marco Paiva, texto original de Alex Cassal – escrito para estas pessoas com todas as suas especificidades –, para ser feito neste local e neste tempo histórico. E com a banda sonora original de fundo dos 5ª Punkada, acreditem: o amor pode mesmo contagiar.
Projeto MAIS
A classificar pela CCE
4-10€
27 de março a 26 de abril
Quarta e quinta, 19h
Sexta e sábado, 21h30
Domingo, 17h
Sala Laborinho Lúcio da Oficina Municipal do Teatro
Interrompe nos dias 3, 4 e 5 de abril (Páscoa).
8 de abril, 19h
18 de abril, 21h30
26 de abril, 17h
Entrada para reconhecimento de palco sempre 30 minutos antes da hora.
Legendagem: Em todas as sessões
9, 10, 16, 17, 23 e 24 de abril, 14h
info@oteatrao.com
239 714 013
912 511 302
Alex Cassal
Joana Frazão
Marco Paiva
Eva Tiago, Margarida Sousa, Paulo Azevedo, Vasco Seromenho
Fernando Ribeiro
Carlota Lagido
5ª Punkada
Nuno Figueira
Nuno Pompeu
Carlos Gago (Ilídio Design)
Isabel Craveiro, Marco Paiva
Jonathan de Azevedo, Nuno Pompeu
Jonathan de Azevedo, Nuno Pompeu, Nuno Figueira
Beatriz Sousa (Terra Amarela), Cátia Oliveira (Teatrão)
Nuno Pratas (Terra Amarela)
Paul Hardman
Carlos Gomes
Gonçalo Cunha, Mário Melo Costa
Luís Marujo, Margarida Sousa
Angélica Dantas
Catarina Silva, Catarina Loureiro, Inês Amaro, José Pedro Keating, Isabella Araújo, Marta Parravicini, Mafalda Pinho, Isabel Batista, Mariana Martins
Terra Amarela e Teatrão
República Portuguesa – Cultura | DG-ARTES – Direção-Geral das Artes, Câmara Municipal de Coimbra, Programa “Centro 2030 – Inclusão pela Cultura” da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro
© Gonçalo Cunha (promo) / Carlos Gomes (ensaio)




Vivemos entre ruínas. Utopias falhadas, projetos estilhaçados, ideias reduzidas a poeira. Uma paisagem desolada em que tudo está permanentemente a desfazer-se. É preciso, então, reconstruir: edificar novas ideias e utopias, reinventar relações, varrer a poeira para debaixo do tapete. Enterrar cadáveres e plantar o futuro. E, no meio de tanto ruído, ainda somos bem capazes de nos apaixonar. Porque acreditar que pode haver futuro é razão suficiente para amar sem reservas tudo aquilo que está por vir. 96 Decibéis é sobre o desejo em tempos de cólera, com direito a toda a piroseira de fazer amor entre os escombros. Um puzzle assumidamente romântico entre personagens atravessadas pelo tempo em que vivem: guerras e doenças, crises políticas e teorias conspiratórias, guitarras e protestos dissonantes. Um manifesto em alto volume contra a acomodação e a mediocridade.
Desde 2024 que nos sentamos com Marco Paiva (diretor artístico da Terra Amarela) para nos conhecermos e para conversar sobre o espetáculo que queríamos fazer. Sabíamos que essa ideia – na altura, embrionária – teria de espelhar em palco as coisas que nos unem: a vontade de dar voz a uma pluralidade de existências, assente na ideia de que qualquer pessoa, independentemente da forma do seu corpo ou daquilo que é atestado sobre a sua capacidade, tem direito a estar num palco e numa plateia. Chegados a 2026, escolhemos trabalhar com intérpretes que dão sentido a este núcleo comum. Eva Tiago, Margarida Sousa, Paulo Azevedo e Vasco Seromenho – elenco que inclui artistas diversos, com mobilidade reduzida e surdez – metem os pés pelas mãos, falam com o corpo todo, cantam e riem, procurando resgatar a esperança ao darem voz a uma diversidade de gentes e de línguas.
Ao longo deste tempo, fomos também colecionando clipes de telejornais, de comentadores e comentários, tweets e truths, reels e tiktoks e bem: quase que íamos tendo um ataque cardíaco. Por isso chamámos o dramaturgo Alex Cassal para dar corpo textual a este caos. Assim, foi sendo escrito o texto original que está na base de “96 Decibéis”. Um texto criado para estas pessoas com todas as suas especificidades, para ser feito neste local e neste tempo histórico. Como o tempo não está de modas, o cenário é pós-apocalíptico e de destruição. Contudo, acima da poeira e do ruído, surge uma certeza: mesmo em tempos de cólera, só o amor nos salvará porque acreditar que pode haver futuro é razão suficiente para amar sem reservas tudo aquilo que está por vir.
A banda sonora original vai ser interpretada ao vivo pelos 5ª Punkada – grupo nascido no seio da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC), entretanto profissionalizada e agenciada pela Omnichord. O trabalho de composição do corpo sonoro que vai acompanhar o espetáculo foi elaborado no âmbito do Laboratório de Música Teatral, uma atividade do MAIS – projeto que, por um lado, engloba a criação de “96 Decibéis” e, ao mesmo tempo, a acompanha com várias iniciativas paralelas ao seu desenvolvimento.
Primeiro ensaio com os 5ª Punkada © Carlos Gomes







“96 Decibéis” integra o Projeto MAIS, que o engloba e acompanha com várias iniciativas paralelas. Este projeto de formação artística para a profissionalização é financiado pelo programa “Centro 2030 – Inclusão pela Cultura” da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro e integra em parceria a Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC), a Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), o Agrupamento de Escolas Coimbra Centro, o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES-UC), o Grupo de Trabalho Pessoas com Deficiência da Rede Social de Coimbra – Município de Coimbra, a Omnichord, o Plano Nacional das Artes (PNA) e a Terra Amarela.
Janeiro–junho
Curso de Iniciação Teatral
Escola Poeta Manuel da Silva Gaio
Com turmas mistas do 3º ciclo onde se incluem pessoas S/surdas
8 janeiro–19 fevereiro
Laboratório de Música Teatral
Com 5ª Punkada
14–17 fevereiro
Laboratório de Escrita Teatral
Com Alex Cassal
Para todos, incluindo pessoas S/surdas, ouvintes, com ou sem deficiência
21–23 maio
Laboratório de Interpretação Teatral
Setembro
Apresentação de resultados do acompanhamento científico e monitorização qualitativa de públicos e participantes
Com CES-UC