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Teatrão

© 2026 Teatrão – Companhia de Teatro, Coimbra

Comunicado sobre espetáculos e atividades durante cheias

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96 Decibéis

Catarina, Cleo, António e João são quatro amigos que, apesar dos apesares, e mesmo estando perante um mundo a tremer em tempos cólera, se amam. Embalados pelo som de guitarras a alto volume, vão-nos fazendo testemunhas da história do seu amor – uma história a germinar verdejante entre as ruínas que nos cercam. A sua paixão – como é próprio de todas as paixões – incendeia corpos e revoluções, cria e destrói – leva tudo de arrasto. Todos os apaixonados afinal são Romeus e Julietas a saltarem abraçados para um abismo sem fundo, a acreditar que a queda irá durar tempo suficiente para mais um beijo, só mais um.

É esta esperança que junta Teatrão e Terra Amarela em 96 Decibéis. Esta nova cocriação é uma história de amor e desejo criada para todas as idades a partir dos 14 anos e começa a encher corações no dia 27 de março – Dia Mundial do Teatro –, na OMT. O espetáculo conta com encenação do Marco Paiva, texto original de Alex Cassal – escrito para estas pessoas com todas as suas especificidades –, para ser feito neste local e neste tempo histórico. E com a banda sonora original de fundo dos 5ª Punkada, acreditem: o amor pode mesmo contagiar.

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Fotografias

© Gonçalo Cunha (promo) / Carlos Gomes (ensaio)

Sinopse

Vivemos entre ruínas. Utopias falhadas, projetos estilhaçados, ideias reduzidas a poeira. Uma paisagem desolada em que tudo está permanentemente a desfazer-se. É preciso, então, reconstruir: edificar novas ideias e utopias, reinventar relações, varrer a poeira para debaixo do tapete. Enterrar cadáveres e plantar o futuro. E, no meio de tanto ruído, ainda somos bem capazes de nos apaixonar. Porque acreditar que pode haver futuro é razão suficiente para amar sem reservas tudo aquilo que está por vir. 96 Decibéis é sobre o desejo em tempos de cólera, com direito a toda a piroseira de fazer amor entre os escombros. Um puzzle assumidamente romântico entre personagens atravessadas pelo tempo em que vivem: guerras e doenças, crises políticas e teorias conspiratórias, guitarras e protestos dissonantes. Um manifesto em alto volume contra a acomodação e a mediocridade.

Sobre o espetáculo

Desde 2024 que nos sentamos com Marco Paiva (diretor artístico da Terra Amarela) para nos conhecermos e para conversar sobre o espetáculo que queríamos fazer. Sabíamos que essa ideia – na altura, embrionária – teria de espelhar em palco as coisas que nos unem: a vontade de dar voz a uma pluralidade de existências, assente na ideia de que qualquer pessoa, independentemente da forma do seu corpo ou daquilo que é atestado sobre a sua capacidade, tem direito a estar num palco e numa plateia. Chegados a 2026, escolhemos trabalhar com intérpretes que dão sentido a este núcleo comum. Eva Tiago, Margarida Sousa, Paulo Azevedo e Vasco Seromenho – elenco que inclui artistas diversos, com mobilidade reduzida e surdez – metem os pés pelas mãos, falam com o corpo todo, cantam e riem, procurando resgatar a esperança ao darem voz a uma diversidade de gentes e de línguas.

Ao longo deste tempo, fomos também colecionando clipes de telejornais, de comentadores e comentários, tweets e truths, reels e tiktoks e bem: quase que íamos tendo um ataque cardíaco. Por isso chamámos o dramaturgo Alex Cassal para dar corpo textual a este caos. Assim, foi sendo escrito o texto original que está na base de “96 Decibéis”. Um texto criado para estas pessoas com todas as suas especificidades, para ser feito neste local e neste tempo histórico. Como o tempo não está de modas, o cenário é pós-apocalíptico e de destruição. Contudo, acima da poeira e do ruído, surge uma certeza: mesmo em tempos de cólera, só o amor nos salvará porque acreditar que pode haver futuro é razão suficiente para amar sem reservas tudo aquilo que está por vir.

A banda sonora original vai ser interpretada ao vivo pelos 5ª Punkada – grupo nascido no seio da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC), entretanto profissionalizada e agenciada pela Omnichord. O trabalho de composição do corpo sonoro que vai acompanhar o espetáculo foi elaborado no âmbito do Laboratório de Música Teatral, uma atividade do MAIS – projeto que, por um lado, engloba a criação de “96 Decibéis” e, ao mesmo tempo, a acompanha com várias iniciativas paralelas ao seu desenvolvimento.

Fotografias de processo

Primeiro ensaio com os 5ª Punkada © Carlos Gomes

Projeto MAIS

“96 Decibéis” integra o Projeto MAIS, que o engloba e acompanha com várias iniciativas paralelas. Este projeto de formação artística para a profissionalização é financiado pelo programa “Centro 2030 – Inclusão pela Cultura” da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro e integra em parceria a Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC), a Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), o Agrupamento de Escolas Coimbra Centro, o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES-UC), o Grupo de Trabalho Pessoas com Deficiência da Rede Social de Coimbra – Município de Coimbra, a Omnichord, o Plano Nacional das Artes (PNA) e a Terra Amarela.

Janeiro–junho
Curso de Iniciação Teatral
Escola Poeta Manuel da Silva Gaio
Com turmas mistas do 3º ciclo onde se incluem pessoas S/surdas

8 janeiro–19 fevereiro
Laboratório de Música Teatral
Com 5ª Punkada

14–17 fevereiro
Laboratório de Escrita Teatral
Com Alex Cassal
Para todos, incluindo pessoas S/surdas, ouvintes, com ou sem deficiência

21–23 maio
Laboratório de Interpretação Teatral

Setembro
Apresentação de resultados do acompanhamento científico e monitorização qualitativa de públicos e participantes
Com CES-UC


Logos do financiamento: Centro 2030, Portugal 2030 e União Europeia