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Teatrão

© 2026 Teatrão – Companhia de Teatro, Coimbra

29.12.25

"O Tempo das Árvores". Novo espetáculo e atividades para famílias

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__chãocéu| + oficina

Em março, acolhemos a O Rumo do Fumo para um programa de três dias que começa com concerto, prossegue com oficina e culmina na apresentação do espetáculo __chãocéu|, a mais recente criação de Vera Mantero, Henrique Furtado Vieira e João Bento.

__chãocéu| é um sexteto de 3 escadotes e 3 corpos nus, que propõe um outro lugar cosmológico, onde se transfere a ideia de um chão para cima. Esta peça estreou em Leiria em 2024, passou por Lagos, Barcelona (Festival Dansa Metropolitana), Lisboa (Teatro São Luiz) e Penafiel (Ponto C).

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__chãocéu|

Há muitos materiais surgidos no processo de criação da peça O Susto é Um Mundo (2021) que ficaram por explorar e aprofundar, pontas soltas que não se chegaram a agarrar, por falta de tempo ou por não encontrarem o seu lugar no trabalho. Desde 2023 Vera Mantero iniciou um processo de criação de “micro-peças” feitas precisamente a partir da exploração e aprofundamento desses mesmos materiais, juntamente com intérpretes e colaboradores presentes nesse mesmo Susto, primeiro com Teresa Silva e Santiago Tricot em Um pequeno exercício de composição, e agora com Henrique Furtado e João Bento em __chãocéu|.

Na primeira dessas micro-peças, um dos elementos presentes na cenografia d’O Susto foi replicado, um anel de ferro de cerca de 2m de diâmetro, e os dois anéis, juntamente com as duas intérpretes, tornaram-se protagonistas centrais desse “… pequeno exercício” austero e praticamente silencioso de sincronia no tempo e geometria no espaço. Em __chãocéu| escolheu-se um outro elemento cenográfico vindo da peça O Susto, mas pouco utilizado nesta, e também aqui multiplicado, agora por três: um escadote.

Em O Susto, o escadote surge porque se quis, simbolicamente falando, “tocar nos pés dos deuses”. Em __chão céu| tentou-se ver como seria isso de facto, como seria tocar nos pés dos deuses e segurar o céu, que está a cair, como todos sabemos. E, assim, os três corpos levitam agora ao alto, obrigando-nos a elevar o olhar. A acção desprende-se do chão, o mundo fica pequeno cá em baixo. Três anjos-pássaros deambulam sobre as nossas cabeças, deixando-nos na inquietação de saber se descerão e nos ajudarão a compreender o tumulto do plano rasante.

Figuras míticas e fantásticas várias vão surgindo (deusas e deuses, gárgulas, guerreiros e guerreiras…), intermediárias entre o cima e o baixo, praticando acções-tarefas-danças-sons, numa sequência de insólitas relações entre opostos. Novamente o espanto, o sonho, sempre o susto – e uma busca material do inconsciente. Se em O Susto as palavras proferidas pareciam materializar-se em jogos com os objectos cénicos, em __chãocéu| as palavras são já ressonâncias nos próprios corpos-objectos que, com a sua nudez, tentam formar uma outra linguagem nos entalhes de um metal aparentemente imaterial.

Em baixo, observamos a agitação das criaturas, o ritmo alucinante, as coisas que, com a sua velocidade multicolorida, chocam umas nas outras, produzindo ruídos que são eles próprios substância, obstáculo. O mundo continua a espantar, e a assustar, mas agora queremos escutá-lo a partir de uma interioridade que, desacreditada, talvez já não passe pelo humano. Em O Susto dizia-se: “O chão está quieto à minha espera desde que sou gente”. Talvez agora já não seja gente que espera tocar o chão, nem o chão esteja já quieto. Porventura é o céu que quer agora chão, e talvez seja o único a conseguir essa coexistência de opostos, já que nós cá em baixo não a temos conseguido.

—Vera Mantero, Henrique Furtado Vieira e João Bento

Fotografias

© Pedro Rosário Nunes

Teaser

© Mário Negrão

Oficina "Os objetos de __chãocéu|"

No dia anterior ao espetáculo, 6 março, desafiamos-vos a fazer uma oficina em torno dos objetos da peça.

Nesta oficina, os criadores e performers de __chãocéu| partilham com os participantes as histórias, ideias e reflexões sobre alguns objectos que integram a peça. Seja recorrendo aos escadotes, às bolas saltitonas, ao papel comestível ou aos sinos de metal, revelam mais sobre a incorporação de cada objecto nesta criação, procurando despertar o interesse dos participantes ainda antes da apresentação da performance. Os participantes têm a oportunidade de experimentar, eles próprios, situações e experiências performativas em torno destes objectos.

Duração: 2 horas
Nº máx. participantes: 20

Mais informações e inscrições em breve.

Vera Mantero

Estudou dança clássica com Anna Mascolo e integrou o Ballet Gulbenkian entre 1984 e 1989. Tornou-se um dos nomes centrais da Nova Dança Portuguesa, tendo iniciado a sua carreira coreográfica em 1987 e mostrado o seu trabalho por toda a Europa, Argentina, Uruguai, Brasil, Chile, Canadá, Coreia do Sul, EUA e Singapura. O seu trabalho artístico tem sido amplamente reconhecido, tendo recebido o Prémio Almada do Ministério da Cultura (2002) e o Prémio Gulbenkian Arte pela sua carreira como criadora e intérprete (2009). Em 1999 a Culturgest apresentou uma retrospectiva do seu trabalho, intitulada “Mês de Março, Mês de Vera”. Em 2004, em parceria com o escultor Rui Chafes, representou Portugal na 26ª Bienal de São Paulo, com a obra “Comer o coração. Em 2018, Mantero foi eleita pela Esglobal e pela Fundación Avina para integrar a Lista de Intelectuais Ibero-Americanos Mais Influentes do Ano, com foco em profissionais que contribuíram nos campos de sustentabilidade ambiental, económica, política e/ou social. Colabora regularmente em projectos internacionais de improvisação, dos quais destaca: Crash Landing, uma iniciativa de Meg Stuart, Christine de Smedt e David Hernandez (Festival Klapstuk 1996, Thêatre de la Ville/Paris 1997, Festival Danças na Cidade/Lisboa, 1998); On the Edge, um projecto de Mark Tompkins (Paris, Marselha e Estrasburgo, 1998); The Lisbon Group, iniciativa do Festival Danças na Cidade e Steve Paxton (Lisboa 1999 e Festival Impulstanz/Viena 2002); Not to know, projecto de Benoît Lachambre e Andrew Harwood (Impulstanz 2002 e Festival Antipodes/Brest 2005); Theatre of Operations, projecto de Lisa Nelson (Centro Pompidou/Paris, 2003); Concepts of Doing, iniciativa de Alexander Frangenheim (Theater Haus/Stuttgart 2004); Auf den tisch!/At the table, projecto de Meg Stuart (Berlim/Tanz Im August 2005, Bruxelas/Kaaistudios 2005, Gent/Vooruit 2006, Viena/Tanzquartier 2006, Lisboa/Teatro Camões 2007); Sidewinder/Movement Research Fall Festival, programado por Jennifer Monson e Zeena Parkins (Nova Iorque 2008); Improvisação a partir de ‘In C’ de Terry Riley (Fundação de Serralves e Festival Circular 2011) com direcção de Miquel Bernat e Mark Tompkins. Mantero tomou também a iniciativa das primeiras edições do projecto Aqui Agora Neste Momento (Serralves 1999 e Teatro Municipal da Covilhã 2000). Integra desde 2014 o elenco da versão portuguesa de Quizoola!, de Tim Etchells/Forced Entertainment, ao lado de Jorge Andrade e Pedro Penim, num espectáculo em que grande parte do texto é improvisado. Mantero dedica-se igualmente ao trabalho de voz desde 2000, cantando repertório de vários autores e co-criando projectos de música experimental, nomeadamente com Pedro Pinto, Gabriel Godoi, Nuno Vieira de Almeida, Nuno Rebelo e Vítor Rua. Lecciona regularmente composição e improvisação, em Portugal e no estrangeiro.

Henrique Furtado Vieira

Formado em engenharia de energia e meio ambiente, actualmente bailarino, performer e coreógrafo, Henrique Furtado Vieira vive em Lisboa. Efectuou a sua formação artística em várias instituições francesas (INSA de Lyon, Extensions – CDC de Toulouse, Prototype II e Dialogues III – Abadia de Royaumont). Desenvolve a sua prática artística principalmente entre a criação coreográfica e a colaboração como intérprete com vários artistas tais como Bleuène Madelaine, Eric Languet, Aurélien Richard, Céline Cartillier, Tino Sehgal, Salomé Lamas, André Uerba, Sofia Dias & Vítor Roriz, Ana Renata Polónia e Vera Mantero. Pontualmente dedica-se à investigação, à pedagogia e à escrita em relação com a dança, em diferentes contextos e através de múltiplas parcerias (O Rumo do Fumo, Unlock Dancing Plaza, Ballet Contemporâneo do Norte, festival END…), e mais recentemente tem estado envolvido como dramaturgista nas coreografias de Nicolas Hubert (“Compagnie Épiderme”) e de Giulia Arduca (“Compagnie Ke Kosa”). Os seus trabalhos são frequentemente criados em sinergia com outros artistas como em “Bibi Ha Bibi”, com Aloun Marchal, ou em “Stand still you ever-moving spheres of heaven”, com Chiara Taviani. Nos seus espectáculos / performances destaca-se a sobreposição de estilos e de géneros, a presença vocal na dança e o(s) espaço(s) da imaginação. Tem colaborado e apresentado o seu trabalho em instituições como Aerowaves, CDC Toulouse, Festival de teatro e dança de Goteborg, Festival Roma Europa, rede europeia DNA, Teatro Municipal do Porto, Festival Temps d’Image, Espaço do Tempo, CCB, entre outros.

João Bento

Licenciado em Artes Plásticas pela ESAD. Desde 2004 compõe som para performances, dança, filmes experimentais, peças de teatro e live acts. O seu trabalho articula instrumentos analógicos e objectos sonoros, usados num contexto multidisciplinar. Em formação e pesquisa desenvolveu técnicas de música improvisada com o músico Greeg Moore, Theremin com Pamilia Kurstin, som para cinema com Vasco Pimentel e técnicas de composição em tempo real com João Fiadeiro na RE.AL. Criou “366 Sound Daily Project” (2012), uma instalação áudio desenvolvida para o ECOS encontros sobre escuta e lugar na Trienal de Arquitectura de Lisboa; “Cactus” uma instalação para o evento Lisboa Soa (2016); e as instalações sonoras e visuais “8 Linhas” e “Correspondência” para a programação cultural Caminhos Médio Tejo (2018). A cidade do Fundão dedicou um ano ao artista (Abril 2014 – Abril 2015), com um projecto da sua autoria intitulado “Passagem #1”. Vencedor do prémio Loops Lisboa em 2018, com o vídeo “Aquela Velha Questão do Som e da Imagem” exposto no MNAC Lisboa. Colaborou com Luíz Antunes, Kerem Gelebek, Ben J.Riepe Company, João Fiadeiro, Elena Castilla, Elizabete Francisca, colectivo This Takes Time, John Romão, Tiago Gandra, Vera Mantero, Urândia Aragão, Marta Cerqueira, Matthieu Ehrlacher, Pablo Fidalgo, João Fiadeiro, Maria Lúcia Cruz e Rui Horta. Os seus projectos pessoais e em colaboração foram apresentados em Portugal, Espanha, França, México, Bélgica, Alemanha, Índia e Bangladesh.