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Teatrão

© 2026 Teatrão – Companhia de Teatro, Coimbra

19.04.26

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Ao longe, o fim do mundo

Ao longe, o fim do mundo é a nova criação da Retorno Contínuo, em coprodução com o CENDREV – Centro Dramático de Évora, e traz-nos uma reflexão sobre verdade, pós-verdade e crenças.

O espetáculo aproveita os movimentos modernos de terraplanistas para refletir sobre aquilo a que nos agarramos para fazer sentido do mundo, da Ciência às crenças, do populismo às redes sociais. Em cena, um trio de terraplanistas embarca levando consigo uma jornalista, pondo em lugar de destaque o papel atual da verdade – até que ponto é relativizada? Até que ponto é apenas um dos feixes de luz que saem de um prisma que, no fundo, é a realidade?

“Se entregamos a verdade ao relativismo total ficamos facilmente à deriva, reféns de fenómenos sociais e políticos voláteis e opressores – como populismos e propagandas. Além do impacto político-social dos negacionismos da verdade, a escolha dos terraplanistas em particular interessa-nos como movimento de pensamento. Se por um lado nos parece absurdo o que defendem, por outro acreditamos que para fazer sentido do mundo devemos, tal como eles, pôr em causa o nosso sistema de crenças”, explicam Leonor e Beatriz Wellenkamp Carretas, que assinam a dramaturgia.

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Fotografias

© Rafaela Gomes

Sinopse

Um grupo de terraplanistas parte rumo à Antártida para provar que a terra é plana. O já antes navegado apresenta-se como possibilidade de descoberta de uma nova verdade. Na travessia que vai da hipótese à verificação da prova relevam não a verdade mas as crenças que sobre ela têm, cada vez menos suportáveis. Ao longe, o fim do mundo é o horizonte onde a realidade se impõe às nossas ilusões. Será a adequação entre discurso e realidade mais relevante do que as verdades que criamos em conjunto?

Sobre o espetáculo

Os movimentos modernos de terraplanistas – em crescimento exponencial e paralelo ao das redes sociais são um dos indicadores de que a Ciência, bastião da verdade na sociedade ocidental contemporânea, não é suficiente para fazer sentido do mundo. Contudo, se entregamos a verdade ao relativismo total ficamos facilmente à deriva, reféns de fenómenos sociais e políticos voláteis e opressores – como populismos e propagandas. Além do impacto político-social dos negacionismos da verdade, a escolha dos terraplanistas em particular interessa-nos como movimento de pensamento. Se por um lado nos parece absurdo o que defendem, por outro acreditamos que para fazer sentido do mundo devemos, tal como eles, pôr em causa o nosso sistema de crenças.

Sobre as criadoras
Conversa: Verdade e pós-verdade, realidade e encenação

A partir do espetáculo “Ao Longe, o Fim do Mundo”, juntamo-nos pelas 18:30 na Casa da Escrita, no dia 02 de julho (quinta-feira), para questionar noções de verdade e pós-verdade, mas também ficção e jornalismo, realidade e narrativa, e outras construções binárias.
Num mundo polarizado e em que os algoritmos mediam (e medem) a atenção dos humanos um ‘scroll’ de cada vez, qual é o lugar do saber empírico e do saber adquirido? O que é hoje “conhecimento” e “saber”? Para que serve o jornalismo? E o teatro?
Porque é que tantos jornalistas têm mostrado interesse em trabalhar no teatro? Porque é que tantos criadores teatrais têm apresentado espetáculos documentais ou quase jornalísticos?
Para discutir estas questões, contamos com Jorge Louraço Figueira, dramaturgo e encenador que é atualmente professor de Teatro na Universidade de Coimbra, e que foi durante anos crítico no jornal Público, mas também com Ana Filipa Paz, recém-mestre em Jornalismo e ex-diretora do jornal universitário A Cabra, que faz teatro no GEFAC e na Bonifrates. A moderar, Simão Freitas, jornalista da Agência Lusa e também dramaturgo.
O espetáculo “Ao Longe, o fim do mundo”, de Leonor e Beatriz Wellenkamp Carretas, é apresentado no sábado no Teatrão – OMT, pelas 21:30.