© 2026 Teatrão – Companhia de Teatro, Coimbra
Azira’I vai estar em Portugal – e a digressão vai passar na Oficina Municipal do Teatro. Este é um dos principais espetáculos, nos últimos anos, a conseguir fazer a ponte entre o Brasil dos grandes centros urbanos, das favelas, da selva de betão e o Brasil da verdadeira selva, da floresta amazónica, da população indígena. Azira’I é apresentado em Portugal numa parceria entre Teatrão, Fundação Calouste Gulbenkian (13, 14 fev) e Teatro Municipal do Porto (20, 21 fev).
Esta criação é também o primeiro momento da programação Todos São Palco – Mostra de Teatro Brasileiro para 2026, edição dedicada, este ano, às teatralidades da Amazónia. No dia do espetáculo vamos apresentar a programação do festival – mais uma razão para não faltar a este warm-up!
Todos São Palco
M/12
90 minutos
4-10€
18 de fevereiro, 19h
info@oteatrao.com
912 511 302
239 714 013
Zahy Tentehar
Zahy Tentehar e Duda Rios
Denise Stutz e Duda Rios
Batman Zavareze
Andréa Alves e Leila Maria Moreno
Carol Lobato
Mariana Villas-Bôas
Ana Luzia Molinari de Simoni
Elísio Freitas
Gabriel D’angelo
Eduardo Chamon
Pedro Kaxaz Guajajara
Este musical de memórias vivas aborda a relação de Zahy Tentehar com a sua mãe, Azira’I – primeira mulher Pajé da reserva de Cana Brava (Maranhão), que ocupou a categoria de Pajé Supremo dos povos Tentehar, destinado apenas a pessoas com sabedorias medicinais e espirituais muito avançadas.
Em palco, a atriz alterna entre cenas em português e em Ze’eng eté. A relação entre mãe e filha dá-se num cenário conflituoso, marcado pelo ambiente extremamente patriarcal do nordeste brasileiro e por uma cultura dividida entre a preservação dos seus valores ancestrais e a integração de dinâmicas e mazelas de um sistema de civilização globalizado. Ao mesmo tempo em que Zahy é a filha escolhida pela mãe para herdar os dons de pajelança e comunicação com os Maíras, é também nela que Azira’I descarrega as frustrações de existir num contexto colonial e opressor.
Zahy descreve o espetáculo como “político, mas sem ser acusatório nem panfletário”. Sem procurar o lugar da vitimização, “Azira’I” procura no bom humor e na canção veículos para a discussão complexa que pretende levar a palco. Em cena, Zahy canta músicas originais compostas por ela e por parceiros como Marcelo Caldi e improvisa cânticos, dom que também herdou da sua mãe.
“Azira’I” nasce ainda do desejo de Zahy contar histórias nos seus próprios termos, sem ter de virar porta-voz de uma causa, além de poder também mostrar uma visão não-romantizada dos povos indígenas. “É muito libertador não precisar ter que representar uma pauta o tempo todo. Quero poder contar a minha história, de uma pessoa que saiu de sua reserva, foi para a cidade, aprendeu uma outra língua e teve uma relação complexa com a mãe”, reflete Zahy.
Num momento em que a natureza grita por socorro, sofrendo com os avanços da indústria, com as alterações climáticas, com o aumento desenfreado de produção de lixo, entre outras consequências do capitalismo selvagem, “Azira’I” traz à tona a importância da reconexão com a Terra-Mãe, tal como Zahy e sua mãe Azira’I se reconectaram – através do amor, da cura, do perdão e do cuidado.
© Jéssica Lima (fotografia de cena) / © Leo Aversa




