© 2026 Teatrão – Companhia de Teatro, Coimbra
Esta nova criação da Esquiva é inspirada n’A Pequena Sereia de Hans Christian Andersen. Bestiário III — A Quimera confronta-nos com o anseio pela transcendência e com os riscos de abandonar a própria natureza em busca de um ideal. Em cena, três intérpretes dão corpo a um oceano de personagens e objetos. Através da dança, do teatro físico e das marionetas, a peça convoca imagens dos abismos e dos limites: o corpo em transformação, o preço do desejo, a erosão da identidade.
M/6
60 minutos
4-10€
27 de junho, 21h30
Sala Laborinho Lúcio da Oficina Municipal do Teatro
info@oteatrao.com
239 714 013
912 511 302
Um acolhimento Descampado
Mariana Amorim e Tommy Luther
Tommy Luther, Jorge Neto e Leonor Batista
Esquiva Companhia de Dança
Domingos Alves
Esquiva Companhia de Dança
Domingos Alves
Julia de Luca
Esquiva Companhia de Dança, Ricardo Leite
Esquiva Companhia de Dança, Hugo Ribeiro
Salvador Moura
Esquiva Companhia de Dança
DGARTES, República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto, Casa da Lage, PAZ – Performance Arts Zone
© Esquiva




Na última parte do tríptico Bestiário, a Esquiva convida-nos a mergulhar nas águas profundas do desejo e da metamorfose. Inspirado no conto de Hans Christian Andersen, A Pequena Sereia, este espetáculo confronta-nos com o anseio pela transcendência e com os riscos de abandonar a própria natureza em busca de um ideal.
Aqui, a sereia surge como uma quimera emocional — metade sonho, metade sacrifício — que habita as fronteiras entre o humano e o monstruoso, entre a voz e o silêncio. É reflexo da condição do nosso tempo — híbrido, fragmentado, belo e trágico.
Em cena, personagens e objetos metamorfoseiam-se sem cessar. Apenas três intérpretes dão corpo a este oceano de figuras — calçando, não sapatos, mas barbatanas.
Através da dança, do teatro físico e das marionetas, a peça convoca imagens dos abismos e dos limites: o corpo em transformação, o preço do desejo, a erosão da identidade.
“A utopia é a revolução e a capacidade de as (utopias) imaginar um acto revolucionário.”
Após a pandemia, perante um cenário de caos e perversão do que se pensaria para um pós-confinamento e tendo saído de um biénio em que todo o trabalho da companhia refletiu sobre conceitos como a democracia, a revolução e a liberdade, consideramos que a precisávamos de mergulhar na esperança, no idealismo e no sonho. Com esta perspetiva definimos que o ínicio da nossa pesquisa com a realização de três mesas redondas em parceria com o ISUP, cada uma delas dedicada às temáticas: mitos, sonhos e utopias; seguiram-se várias oficinas de movimento para crianças com a exploração dessas temáticas e em busca da nossa Quimera e da construção do nosso Bestiário.
Bestiário nasce da necessidade de explorar a relação entre o humano e o mítico, refletindo sobre a capacidade de transformação e reinvenção. Inspirado na simbologia dos pássaros e nas suas representações em diferentes culturas, o projeto propõe um tríptico que atravessa os arquétipos humanos, a busca espiritual e a construção de um corpo universal e mutável. A utilização de múltiplas linguagens artísticas — dança, teatro, música ao vivo e manipulação de objetos e marionetas — reforça a riqueza estética e sensorial desta criação.
A primeira peça, “Quantas Penas Tenho Eu?”, abre o universo mitológico do tríptico, tendo o corvo como guia e mediador entre mundos. Figura de inteligência e metamorfose, o corvo apresenta criaturas fantásticas e mitológicas que simbolizam diferentes aspectos da psique humana. Este trickster desafia convenções e convida à reflexão sobre a transformação e a criação, misturando o real e o onírico num cenário que explora arquétipos fundamentais.
A segunda parte, “A Conferência dos Pássaros”, inspira-se no poema persa de Farid ud-Din Attar e utiliza a metáfora dos pássaros em busca de Simurg para refletir sobre a jornada interior de autoconhecimento e sabedoria. É um percurso de travessia e comunhão, em que o coletivo se torna espelho do individual, e a utopia da ascensão se manifesta como busca espiritual e poética.
Por fim, “A Quimera” encerra o tríptico com uma adaptação livre de A Pequena Sereia, de Hans Christian Andersen. Nesta última parte, o foco desloca-se para o território do desejo e da metamorfose, refletindo sobre o impulso de ultrapassar os próprios limites e o preço dessa transformação. A figura da sereia surge como metáfora do ideal e da perda, do sonho e da renúncia, encerrando o ciclo num mergulho profundo na condição humana e na sua eterna vontade de se reinventar.
A Esquiva tem como principal missão promover, dinamizar e desenvolver, de forma sistemática e coerente, a experimentação, criação, produção, formação e investigação no âmbito da dança e da performance. Promovendo a intersecção e a confluência de diferentes áreas artísticas, visa a exploração de novas linguagens através do suporte à criação artística. Desde a sua fundação, em 2010, a Esquiva reúne uma equipa multidisciplinar com experiência em vídeo, fotografia, música e luz, com o objetivo de fomentar a pesquisa e desenvolvimento na área da dança. O seu portfólio conta já com 27 criações e organiza regularmente workshops, encontros artísticos e programas de formação. Entre os seus projetos de maior impacto estão o Reviralho em Conversa, Desassossego – Festival de Curtas de Videodança, que contou com participantes de 18 nacionalidades diferentes, e a peça Acts of Cod, selecionada para a Feira Ibérica de Teatro do Fundão. A Esquiva continua comprometida em reforçar a sua presença no território e em desenvolver projetos que valorizem a criação artística e a relação com a comunidade, promovendo a dança como uma linguagem universal para o diálogo e a transformação.