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Esta nova criação da Esquiva para todos os públicos a partir dos seis anos é inspirada n’A Pequena Sereia de Hans Christian Andersen. Bestiário III — A Quimera confronta-nos com o anseio pela transcendência e com os riscos de abandonar a própria natureza em busca de um ideal. Em cena, três intérpretes dão corpo a um oceano de personagens e objetos. Através da dança, do teatro físico e das marionetas, a peça convoca imagens dos abismos e dos limites: o corpo em transformação, o preço do desejo, a erosão da identidade.
M/6
60 minutos
4-10€
27 de junho, 21h30
Sala Laborinho Lúcio da Oficina Municipal do Teatro
info@oteatrao.com
239 714 013
912 511 302
Um acolhimento Descampado
Mariana Amorim e Tommy Luther. Criação emcolaboração com os intérpretes
Mariana Amorim
Tommy Luther
Tommy Luther, Jorge Neto e Leonor Batista
Esquiva Companhia de Dança
Esquiva Companhia de Dança e Hugo Ribeiro
Domingos Alves
Esquiva Companhia de Dança
Julia de Luca
Domingos Alves
Ricardo Leite
Mariana Amorim
Salvador Moura
Esquiva Companhia de Dança
Teatro Municipal Constantino Nery
PAZ – Performance Arts Zone
DGArtes | República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto
© Esquiva




Na última parte do tríptico Bestiário, a Esquiva convida-nos a mergulhar nas águas profundas do desejo e da metamorfose. Inspirado no conto de Hans Christian Andersen, A Pequena Sereia, este espetáculo confronta-nos com o anseio pela transcendência e com os riscos de abandonar a própria natureza em busca de um ideal.
Aqui, a sereia surge como uma quimera emocional — metade sonho, metade sacrifício — que habita as fronteiras entre o humano e o monstruoso, entre a voz e o silêncio. É reflexo da condição do nosso tempo — híbrido, fragmentado, belo e trágico.
Em cena, personagens e objetos metamorfoseiam-se sem cessar. Apenas três intérpretes dão corpo a este oceano de figuras — calçando, não sapatos, mas barbatanas.
Através da dança, do teatro físico e das marionetas, a peça convoca imagens dos abismos e dos limites: o corpo em transformação, o preço do desejo, a erosão da identidade.
“A utopia é a revolução e a capacidade de as (utopias) imaginar um acto revolucionário.”
Após a pandemia, perante um cenário de caos e perversão do que se pensaria para um pós-confinamento e tendo saído de um biénio em que todo o trabalho da companhia refletiu sobre conceitos como a democracia, a revolução e a liberdade, consideramos que a precisávamos de mergulhar na esperança, no idealismo e no sonho. Com esta perspetiva definimos que o ínicio da nossa pesquisa com a realização de três mesas redondas em parceria com o ISUP, cada uma delas dedicada às temáticas: mitos, sonhos e utopias; seguiram-se várias oficinas de movimento para crianças com a exploração dessas temáticas e em busca da nossa Quimera e da construção do nosso Bestiário.
Bestiário nasce da necessidade de explorar a relação entre o humano e o mítico, refletindo sobre a capacidade de transformação e reinvenção. Inspirado na simbologia dos pássaros e nas suas representações em diferentes culturas, o projeto propõe um tríptico que atravessa os arquétipos humanos, a busca espiritual e a construção de um corpo universal e mutável. A utilização de múltiplas linguagens artísticas — dança, teatro, música ao vivo e manipulação de objetos e marionetas — reforça a riqueza estética e sensorial desta criação.
A primeira peça, “Quantas Penas Tenho Eu?”, abre o universo mitológico do tríptico, tendo o corvo como guia e mediador entre mundos. Figura de inteligência e metamorfose, o corvo apresenta criaturas fantásticas e mitológicas que simbolizam diferentes aspectos da psique humana. Este trickster desafia convenções e convida à reflexão sobre a transformação e a criação, misturando o real e o onírico num cenário que explora arquétipos fundamentais.
A segunda parte, “A Conferência dos Pássaros”, inspira-se no poema persa de Farid ud-Din Attar e utiliza a metáfora dos pássaros em busca de Simurg para refletir sobre a jornada interior de autoconhecimento e sabedoria. É um percurso de travessia e comunhão, em que o coletivo se torna espelho do individual, e a utopia da ascensão se manifesta como busca espiritual e poética.
Por fim, “A Quimera” encerra o tríptico com uma adaptação livre de A Pequena Sereia, de Hans Christian Andersen. Nesta última parte, o foco desloca-se para o território do desejo e da metamorfose, refletindo sobre o impulso de ultrapassar os próprios limites e o preço dessa transformação. A figura da sereia surge como metáfora do ideal e da perda, do sonho e da renúncia, encerrando o ciclo num mergulho profundo na condição humana e na sua eterna vontade de se reinventar.
A Esquiva tem como principal missão promover, dinamizar e desenvolver, de forma sistemática e coerente, a experimentação, criação, produção, formação e investigação no âmbito da dança e da performance. Promovendo a intersecção e a confluência de diferentes áreas artísticas, visa a exploração de novas linguagens através do suporte à criação artística. Desde a sua fundação, em 2010, a Esquiva reúne uma equipa multidisciplinar com experiência em vídeo, fotografia, música e luz, com o objetivo de fomentar a pesquisa e desenvolvimento na área da dança. O seu portfólio conta já com 27 criações e organiza regularmente workshops, encontros artísticos e programas de formação. Entre os seus projetos de maior impacto estão o Reviralho em Conversa, Desassossego – Festival de Curtas de Videodança, que contou com participantes de 18 nacionalidades diferentes, e a peça Acts of Cod, selecionada para a Feira Ibérica de Teatro do Fundão. A Esquiva continua comprometida em reforçar a sua presença no território e em desenvolver projetos que valorizem a criação artística e a relação com a comunidade, promovendo a dança como uma linguagem universal para o diálogo e a transformação.