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Teatrão

© 2026 Teatrão – Companhia de Teatro, Coimbra

19.04.26

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O Capote

No final de maio, a cocriação da Alma d’Arame com o Teatrão estreia no XVIII Encontro Internacional de Marionetas de Montemor-o-Novo. O Capote – uma adaptação de Beatriz e Leonor Wellenkamp Carretas a partir do conto homónimo de Nikolai Gogol e com encenação de Amândio Anastácio – é o espetáculo que temos andado a trabalhar com estes companheiros. Em palco, atores, marionetas e objetos cruzam-se entre os risos e desesperos de Acácio, desafiando-nos a descobrir o que muda na vida de um dedicado escrivão quando este decide investir na compra de um casaco novo para suportar o duro inverno.

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Fotografias de ensaio

© Teresa Valente

Sinopse

Um espetáculo que parte do conhecido conto de Nikolai Gogol e que cruza diferentes linguagens teatrais — atores, marionetas e objetos — para dar forma a um universo entre o grotesco e o humano. O riso e o desespero conduzem a história do funcionário público Acácio de Acácio e do seu capote. Num ambiente profundamente intimista somos desafiados a descobrir o que muda na vida de um dedicado escrivão quando decide investir na compra de um casaco novo para suportar o duro inverno.

Sobre o espetáculo

Entre o riso e o desespero, um pequeno mundo ganha vida. A partir do texto original de Nikolai Gogol, este espetáculo combina atores, objetos, marionetas e teatro de formas animadas para revelar o motor invisível de uma vida anónima, perdida num escritório/departamento qualquer: a solidão, o desejo de ser visto, a luta por um nome, um lugar, um casaco novo.

No cruzamento entre o gesto e a matéria inanimada, os atores-manipuladores partilham o palco com figuras e marionetas que se erguem, se desmancham e voltam a nascer, enquanto a música ao vivo acompanha e amplifica as emoções, criando um diálogo constante entre o som, o corpo e a imagem. O jogo entre narradores e atores é uma constante na narrativa teatral do espetáculo, abrindo janelas entre a ficção e a realidade, entre quem conta e quem vive a história, entre a palavra e o silêncio.

Com uma forte componente narrativa e uma dramaturgia visual, as palavras de Gogol ganham corpo em objetos, matérias e materiais — num teatro visual onde o grotesco se torna terno e o riso se confunde com o espanto.

—Amândio Anastácio

Sobre a realização plástica

Esta é a história de um pequeno homem, Acácio, durante o ano mais importante da sua vida. Acompanha a sua viagem desde um quotidiano banal, mas pleno da felicidade das pequenas coisas, até um delírio de esperança num futuro radioso.

Cada figura representa um movimento em direcção a essa esperança — e também um encontro com outros que, pelo caminho, se debatem nas suas próprias viagens.

As figuras, de barro branco pintado com um tom de bronze antigo e pesado, enterram‑se na neve que as envolve a cada passo. O barro conserva o gesto essencial de cada personagem, eeste é usado pelos actores para investigar as suas interacções.

Da cenografia é importante mencionar a mesa redonda, com dois tampos rotativos. Ela conforma este mundo e só permite o movimento circular. Nela existe a cidade onde se passa a história, e nela nascem o departamento onde trabalha Acácio e o estúdio do alfaiate que constrói o capote. A sua rotação gera possibilidades espaciais múltiplas e de mudança rápida. No entanto figuras e actores mantêm-se presos na sua força centrípeta. É uma arena em constante revolução, onde actores e figuras se cruzam no desejo de um capote belo, bom e generoso — a medida justa daquilo que alguém poderia ser. Se o mundo o permitisse.

—Filipa Malva (a autora escreve segundo o antigo AO)

Sobre a música

A criação musical para este espetáculo tem como ponto de partida a construção de uma sonoplastia que amplie ou centre o espectador em relação às personagens e à sua mensagem.

Neste espectáculo a música é executada ao vivo e, estabelece uma interação dinâmica entre ela e os atores . O seu timbre assenta nas sonoridades específicas de instrumentos musicais clássicos, tradicionais e electrónicos querendo com isto, aludir à psicoacústica associada a cada um deles.

O recurso à composição musical euclidiana e à geração de ondas sonoras puras dão também ao espetáculo uma dimensão musical e sonora abstrata e subjetiva.

—João Bastos

Criadores do espetáculo

Alma d’Arame
Fundada em 2006, a Alma d’Arame desenvolve a sua atividade no Alentejo, especialmente no Município de Montemor-o-Novo onde somos participantes ativos no panorama cultural e artístico. Acreditamos com fervor na essência que fundamenta este projeto: dar alma às almas d’arame. Assim, pretendemos contribuir para a divulgação e democratização do acesso às artes cénicas, com particular destaque para o teatro de marionetas. Lutamos para valorizar o património da marioneta tradicional e propalar a contemporânea. Somos arrojados nas nossas abordagens e criações. Os nossos espetáculos procuram levar ao público de todas as idades as diferentes formas e abordagens do teatro de manipulação de marionetas e objetos, desde a técnica tradicional a técnicas mais modernas e tecnológicas. Esta é a linha condutora que acompanha o nosso percurso desde o início.
O percurso da Alma d’Arame pauta-se pela criação, programação, formação e colaboração criativa com entidades locais, nacionais e internacionais.

Teatrão
O Teatrão é uma companhia profissional de teatro de Coimbra, residente na Oficina Municipal do Teatro. Desde 1994, a nossa missão é aproximar a arte teatral das comunidades e dos territórios, promovendo a igualdade de acesso por todos os públicos às nossas atividades, fruto da posição política que temos sobre o papel da arte e cultura no desenvolvimento dos indivíduos e das comunidades.
Nesta atuação, o Teatrão procura sempre guiar-se por vários objetivos muito claros. Em primeiro lugar, tentamos promover uma oferta artística diversificada e geograficamente equilibrada na cidade e região, de forma a contribuir para uma maior e melhor fruição das artes. Também pretendemos afirmar o papel da companhia e da nossa atividade, mantendo uma aposta constante no profissionalismo artístico, na contemporaneidade dos trabalhos apresentados e na proximidade com as comunidades. Paralelamente, fazemos por cultivar o espaço da Oficina Municipal do Teatro enquanto lugar participativo e próximo da comunidade. Procuramos ainda garantir a circulação das nossas criações por equipamentos do país e em circuitos internacionais. Por último, fomentamos a articulação e aprofundamento das dimensões artística e pedagógica do nosso projeto–algo que se torna possível graças à singularidade da formação académica e experiência profissional da nossa equipa de encenadores, atores, dramaturgos e pedagogos, entre profissionais de outras áreas –através de práticas que interliguem a criação, a formação e a investigação nas artes performativas.