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Teatrão

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29.12.25

"O Tempo das Árvores". Novo espetáculo e atividades para famílias

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O Erro de GPTO ou As Mentiras de Pi

Para medir um círculo, começa-se num ponto qualquer. E para medir uma pessoa, por onde começar? Pelos pés, mãos, umbigo ou cabeça? Por onde anda, faz, pensa de si ou do mundo? E quando medida, porque atributos é então definida? Quais os factores que entram na equação? A sua altura, peso, mobilidade, os seus órgãos, pêlo, voz, cabelo, idade, racionalidade, emotividade, identidade? Se πr² é a função da área do círculo, qual a função da área humana? E se mesmo a matemática pode ser infinita e irracional na busca de uma definição, da área da perfeição, e, ainda assim, estar sempre errada, produzindo apenas um valor aproximado, pode o ser humano, por seu lado, buscar a imperfeita verdade, fundada no interminável caos e na paradoxal experiência do mundo que o rodeia? Pi tenta medir-se, procurando a sua função entre o seu corpo artificial, a sua consciência imaterial, o mundo intran- sigente e as suas mentiras de sobrevivente. GPTO tenta medir-se, procurando a sua função entre o trabalho que realizou, o amor que dedicou, os sacrifícios que sofreu e os inadmissíveis erros que cometeu. Por onde é que se começa a medir uma pessoa? Para medir um círculo, começa-se num ponto qualquer.

Sobre o espetáculo

“O Erro de GPTO ou As Mentiras de Pi” parte do texto de Rosa Dias, actriz e dramaturga. Rosa, mulher trans, escreve um texto inspirado livremente no “Pinóquio” para criar um monólogo que nos oferece uma metáfora entre o mundo da tecnologia, robotização e AI e a identidade de género, integrando no seu elenco um actor trans.

Num momento de partilha íntima, Pi conta-nos aquilo que julgamos serem as suas memórias, reais ou não? Sempre interrompido por uma voz que nos fala da integridade de dados e os pâra- metros de integridade de Pi. Pi questiona GPTO constantemente, procura respostas que nem sempre chegam, sobre a família, o trabalho, a escola… Muitas inquietações e perguntas poderão certamente ser comuns a muitas pessoas cuja identidade de género é diferente da norma, mas também a muitos de nós cujo o padrão não encaixa num puzzle pré-concebido.

Sendo Pi um possível robot como nos relacionamos com esta personagem? “O Erro de GPTO ou As Mentiras de Pi” é interpretado por Ren D Marcus, jovem actor integrado no elenco após uma audição a várias pessoas não-bináries e trans.

O desafio foi lançado e Ren aceitou-o de cabeça erguida, assumindo o risco, e abrindo a sua disponibilidade. José Maria Dias encena o espetáculo trazendo inspirações de um mundo consumido pela tecnologia. João M. Mota cria a música original, trazendo sonoridades de contextos culturais que nos trazem à cabeça “Blade Runner” ou “Dune”. A fragmentação da identidade e do ser, assim como uma visão de cores em RBG é traduzida na imagem e design de Ana Rodrigues. Estes são alguns dos elementos que poderemos ver brevemente em cena.

Fotografias

© Helena Tomás