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Para medir um círculo, começa-se num ponto qualquer. E para medir uma pessoa, por onde começar? Pelos pés, mãos, umbigo ou cabeça? Por onde anda, faz, pensa de si ou do mundo? E quando medida, porque atributos é então definida? Quais os factores que entram na equação? A sua altura, peso, mobilidade, os seus órgãos, pêlo, voz, cabelo, idade, racionalidade, emotividade, identidade? Se πr² é a função da área do círculo, qual a função da área humana? E se mesmo a matemática pode ser infinita e irracional na busca de uma definição, da área da perfeição, e, ainda assim, estar sempre errada, produzindo apenas um valor aproximado, pode o ser humano, por seu lado, buscar a imperfeita verdade, fundada no interminável caos e na paradoxal experiência do mundo que o rodeia? Pi tenta medir-se, procurando a sua função entre o seu corpo artificial, a sua consciência imaterial, o mundo intran- sigente e as suas mentiras de sobrevivente. GPTO tenta medir-se, procurando a sua função entre o trabalho que realizou, o amor que dedicou, os sacrifícios que sofreu e os inadmissíveis erros que cometeu. Por onde é que se começa a medir uma pessoa? Para medir um círculo, começa-se num ponto qualquer.
M/14
60 minutos
4-10€
21 de fevereiro, 21h30
info@oteatrao.com
912 511 302
239 714 013
Rosa Dias
José Maria Dias
Sara Túbio Costa
Ren D-Marcus
João M. Mota
Zé Nova
Rafael Barreto
Ana Rodrigues
José Maria Dias
Ivan Castro, Ana Rodrigues
Ivan Castro, José Maria Dias
Emídio Buchinho
Gertrudes Félix
Ivan Castro
Bere Cruz
Bere Cruz, Inês Monteiro Pires, Sandro Pereira
Helena Tomás
Patrícia Paixão, Sara Túbio Costa, Graziela Dias
Antena 2, O Setubalense, semmais, Setúbal Mais, Som da Baixa
União das Freguesias de Setúbal, Set-Link
“O Erro de GPTO ou As Mentiras de Pi” parte do texto de Rosa Dias, actriz e dramaturga. Rosa, mulher trans, escreve um texto inspirado livremente no “Pinóquio” para criar um monólogo que nos oferece uma metáfora entre o mundo da tecnologia, robotização e AI e a identidade de género, integrando no seu elenco um actor trans.
Num momento de partilha íntima, Pi conta-nos aquilo que julgamos serem as suas memórias, reais ou não? Sempre interrompido por uma voz que nos fala da integridade de dados e os pâra- metros de integridade de Pi. Pi questiona GPTO constantemente, procura respostas que nem sempre chegam, sobre a família, o trabalho, a escola… Muitas inquietações e perguntas poderão certamente ser comuns a muitas pessoas cuja identidade de género é diferente da norma, mas também a muitos de nós cujo o padrão não encaixa num puzzle pré-concebido.
Sendo Pi um possível robot como nos relacionamos com esta personagem? “O Erro de GPTO ou As Mentiras de Pi” é interpretado por Ren D Marcus, jovem actor integrado no elenco após uma audição a várias pessoas não-bináries e trans.
O desafio foi lançado e Ren aceitou-o de cabeça erguida, assumindo o risco, e abrindo a sua disponibilidade. José Maria Dias encena o espetáculo trazendo inspirações de um mundo consumido pela tecnologia. João M. Mota cria a música original, trazendo sonoridades de contextos culturais que nos trazem à cabeça “Blade Runner” ou “Dune”. A fragmentação da identidade e do ser, assim como uma visão de cores em RBG é traduzida na imagem e design de Ana Rodrigues. Estes são alguns dos elementos que poderemos ver brevemente em cena.
© Helena Tomás



