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Teatrão

© 2026 Teatrão – Companhia de Teatro, Coimbra

19.04.26

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OU | Espetáculo + jantar after show

Dia 11 de junho, acolhemos “OU” na OMT, uma criação de André Braga e Cláudia Figueiredo com Panaibra Canda que traz a palco um encontro entre criadores de dois lados do mundo. “OU” procura refletir a História partilhada entre Moçambique e Portugal a partir de outras perspectivas e de um pensamento cruzado que sobrepõe passado, presente, futuro, procurando encontros possíveis. No final do espetáculo, às 20h30, encontramo-nos no Jardim das Oliveiras da OMT à volta da mesa, num jantar que vai incluir chamuscas, badgias, arroz, xima, caril de frango, matapa, couve, caril de amendoim, frango a Zambeziana, mousse de malembe, bolo de amendoim e milho – tudo ao som das seleções musicais de João Gaspar, DJ da RUC e um dos locutores por trás dos programas Nô Badja e Magia Negra.

O jantar é limitado a 60 lugares e acessível apenas a pessoas com o pack “jantar+espetáculo”.

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Teaser

Sinopse

Inhambane, no sul de Moçambique, é o lugar onde Vasco da Gama e terá chegado há mais de 500 anos, batizando-a de “Terra de Boa Gente”. Inhambane, que é também a terra do pai de Panaibra, foi e continua a ser “terra de boa gente”, sem que tamanha bondade tenha evitado torná-la colónia e outras coisas mais que os seres humanos decidiram ser uns com os outros.

“A memória enraíza-se no concreto, em espaços, gestos, imagens e objetos”
Interessa-nos pensar a História a partir de outras perspectivas, outras vozes, outras linguagens e de um pensamento cruzado que sobrepõe passado, presente, futuro. Interessa-nos prosseguir com a pesquisa sobre o que Paul Carter chamou de “política do chão”: “um novo pisar que não terraplane o terreno, mas que deixe o chão galgar o corpo, determinar os gestos, os movimentos, numa nova coreografia social ”.

Fotografias

© José Caldeira

Sobre o espetáculo

Resultado de uma colaboração entre André Braga & Cláudia Figueiredo e o coreógrafo moçambicano Panaibra Canda, OU emerge da vontade de criar a partir de uma paisagem concreta: Inhambane, terra de memórias familiares e coloniais, onde o presente se mistura com as reverberações do passado. Com uma linguagem fortemente transdisciplinar, OU entrelaça dança, som, vídeo e palavra num tecido sensorial que convida à escuta e à imaginação. A proposta é um convite a pensar a História pela via da ficção, da fabulação, da presença fantasmagórica como forma de justiça e memória. Aqui, o corpo não apenas dança: ele fala, recorda, resiste, sonha.

“A voz do mar encheu o céu e a terra. Uma voz que está cheia e se quebra, e nunca mais acaba”
No seu contínuo balanço, o mar traz e leva consigo memórias de todos os tempos. Foi o mar que trouxe Vasco da Gama a Inhambane, cidade do sul de Moçambique batizada por ele de ‘Terra de Boa Gente’. E foi por mar que foram levadas de Inhambane milhares de pessoas escravizadas, muitas delas perdidas para sempre nas suas águas.

“— O mar é um mundo. No mar há vida. Há montanhas, plantas, vento e peixe. Há vida humana nas profundezas”
Inspirados pela mitologia de Drexciya, que imagina um povo subaquático descendente de escravos africanos que foram deitados ao mar durante a travessia do Atlântico, e pelo testemunho de uma curandeira de Inhambane sobre as suas experiências com os espíritos do mar, OU reflete sobre múltiplos encontros. O encontro de dois corpos, com as suas forças, as suas abstrações, as suas histórias, as suas vontades. O encontro entre o mar e a terra, o visível e o invisível, o ancestral e o contemporâneo, o espiritual e o terra-à-terra.

“Partilhar a Terra ou repará-la é fazer um esforço para escutar, olhar e ver o real a partir de diversos mundos; é fazer um esforço para ler e interpretar a História com base numa multiplicidade de arquivos. Partilhar a Terra significa aprender a nascer em conjunto”. (Achille Mbembe)

“— O mundo é uma fonte de potencialidades, cuja amplitude não se pode dimensionar. Da vida conhecemos muito pouco.” (Paulina Chiziane)

Ela diz que foi ao mar, depois de 12 anos de preparação junto de uma anciã. Ela diz que no primeiro dia que foi ao mar, entrou por volta das 15 e saiu no dia seguinte às 4 da madrugada. Trazia medicamentos, conchas, plantas para queimar. Agora, explicar o que é que acontece lá no mar não é fácil, porque não é ela. É ela transformada num espírito. Aquele espírito entra, faz todo aquele trabalho, e só depois de ele sair é que ela volta como pessoa. É um mistério, um segredo antigo que não pode ser revelado nunca.

“Dois corpos que a História não afundou deixam-se levar pelo mar.
Em OU, um português e um moçambicano, André Braga e Panaibra Canda, encontram-se e espelham-se num lugar de vivos, de mortos e dos fantasmas de uns e outros: o Índico.
OU é sobre contar outra história. O que o mar devolve, o que os búzios sopram, o que testemunha a curandeira que por dias e dias desaparece no Índico, “tocam outros lugares muito mais sensíveis e muito mais interessantes, lugares que nos identificam como humanos.”
“Quisemos pensar o mundo para lá dos paradigmas e do senso comum e abrir-nos totalmente a outras formas de imaginação”.”
Inês Nadais, em Ípsilon, 23 de maio de 2025

Sobre a companhia

A CRL – Central Elétrica é um centro de criação e residências do Porto que desenvolve atividade na área dos cruzamentos disciplinares, com enfoque nas artes performativas. A sua atividade é articulada em dois eixos nucleares de ação – criações próprias/residências e programação –, acreditando-se que o desenvolvimento integrado de ambas as áreas gera modos singulares de pensar e fazer as duas.

Ecopensamento, memória, geopoética, olhares do sul são os tópicos conceptuais que vem abordando nos seus projetos recentes.

Notas biográficas

André Braga é encenador, coreógrafo, cenógrafo e performer. Pós-graduado em Dança pela ESMAE, é diretor artístico da CRL – Central Elétrica, sendo aqui que desenvolve o seu percurso artístico, que conta já com 30 criações originais que estiveram presentes em 21 países. O seu percurso vem-se distinguido pela singularidade com que trabalha os cruzamentos disciplinares e as linguagens do corpo e do movimento. Presença forte vêm assumindo também os projetos que trabalham com comunidades e fazem dos lugares a principal matéria criativa.

Cláudia Figueiredo é diretora artística da CRL – Central Elétrica e responsável pela Concepção de Projetos e Dramaturgia. É na CRL que desenvolve o seu percurso artístico, que conta já com 30 criações originais, construindo uma linguagem singular fundada no conceito de transdisciplinaridade. Licenciada em Sociologia pela FLUP, está atualmente a frequentar o Doutoramento em Estudos Artísticos na FLUC.

Panaibra Canda vive e trabalha em Maputo. Vem desenvolvendo projetos artísticos desde 1993, ao lado de artistas da África Austral e da Europa, bem como em colaboração com artistas de outras disciplinas artísticas. O seu trabalho tem sido apresentado em África, Europa, EUA e América Latina. Desenvolveu várias redes, como por exemplo a primeira plataforma de dança contemporânea em Moçambique, atualmente denominada Kinani, e o Kanda Yetu, simpósio internacional de dança para artistas da África Austral. Recebeu vários prémios e distinções.