© 2026 Teatrão – Companhia de Teatro, Coimbra
A digressão da nova criação da NuIsIs ZoBoP (de Joana von Mayer Trindade e Hugo Calhim Cristóvão) vai passar pela Oficina Municipal do Teatro.
“Quando Vem a Taciturna de Limiar em Limiar o Presente Frágil” invoca as Mahavydias, deusas ferozes da sabedoria impura que dói e que ri, Fernando Pessoa delirando “Oriente a oriente do Oriente”, Camilo Pessanha exalando melancolia entre lençóis de linho, Al Berto destilando medo em éter poético, Paul Celan invocando a “Canção de uma Dama na Sombra”. A partir de conceitos filosóficos, a dupla de coreógrafos Joana von Mayer Trindade & Hugo Calhim Cristóvão confronta o frágil vazio do agora, o eterno conflito entre passado, presente e futuro que, de encruzilhada em encruzilhada, confronta e excita a finitude. Dança-se entre limiares – entre ser e não-ser, desejo e vazio, vida e morte, a transitoriedade uma carne amada e estilhaçada que revela a beleza do caos que nunca volta para trás. De limiar em limiar, a dança cria momentos irrepetíveis não canceláveis pelo terror, metamorfoseando urgência apocalíptica em sobrevivência.
M/6
80 minutos
4-10€
Conversa
28 de abril, 18h
Espetáculo
30 de abril, 19h
info@oteatrao.com
239 714 013
912 511 302
Hugo Calhim Cristóvão & Joana von Mayer Trindade
Sara Miguelote, Lucia Marrodan, Ethel Desdames e Marta Pieczul
Luís Ribeiro
UN T
NuIsIs ZoBoP & UN T
Paulo Costa & NuIsIs ZoBoP
João Oliveira & NuIsIs ZoBoP
Hugo Calhim Cristóvão, Joana von Mayer Trindade, Celeste Natário, Carlos Pimenta, Cláudia Marisa, Cristina Aguiar, Ezequiel Santos, Hugo Monteiro, Rui Lopo, Mário Correia, Nuno Matos Duarte, Elter Manuel Carlos, Chris Page, Afonso Becerra, Armando Nascimento Rosa, Madalena Xavier, Ana Coimbra Oliveira, Paulo Azevedo e Sofia Vilar Soares
Os Fredericos
Alípio Padilha, João Peixoto e José Caldeira
Cristina Aguiar & NuIsIs ZoBoP
Casa das Artes de Famalicão, Centro Cultural Vila Flor – Guimarães, Teatro Stephens – Marinha Grande, Oficina Municipal do Teatro – Coimbra, Teatro Municipal de Bragança – Algures a Nordeste Festival de Dança Contemporânea, Casa Varela – Centro de Experimentação Artística-Cineteatro Pombal, Fábrica da Criatividade — Castelo Branco e Teatro Municipal do Porto – Festival DDD
Teatro Aveirense, Teatro Rosalía de Castro, Corunha
Casa Varela – Centro de Experimentação Artística, Kale/Armazém 22, Centro de Criação do Candoso / Fábrica Asa – Guimarães, Teatro Viriato – Viseu, Casa Museu Afonso Lopes Vieira – Marinha Grande, Teatro Aveirense, Centro de Criação e Investigação NuIsIs ZoBoP – Porto
Instituto de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Instituto de Sociologia da Universidade do Porto – FLUP, Escola do Superior de Educação do Porto, Escola Superior de Arte Dramática da Galiza, ESMAE-Escola Superior Música e Artes do Espetáculo do Porto, Teatro Helena Sá e Costa, Universidade Lusófona do Porto, Fórum Dança e Espaço Agra.
República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes
Como dançar sobre ruínas? Como exumar arqueologias estupradas, em comunhão, exalando e destilando melancolias e nostalgias? Metamorfose e presença frágil irrompem um substrato poético no âmago da natura primordial — formas evanescentes entre o devir e a imutabilidade, num tempo oportuno em que tremula a Taciturna. O presente é uma oferenda precária que se devora na própria voracidade, desfazendo-se e multiplicando-se em medos e desejos. É o eterno conflito entre passado, presente e futuro. Entre o que muda e o que permanece, nasce uma presença frágil. Dança-se entre limiares — entre ser e não-ser, desejo e vazio, vida e morte. De limiar em limiar, a dança dá à luz momentos irrepetíveis — não canceláveis pelo terror — metamorfoseando a urgência apocalíptica em sobrevivência sobre cadáveres. Sobre os restos do que foi, inventamos formas de continuar. Quem ressurge das cinzas?
© José Caldeira








A NuIsIs ZoBoP — Associação cultural de criação, investigação e formação no domínio das artes performativas, é uma estrutura de Criação, Experimentação e Investigação, Formação e Edição em Artes Performativas/Dança/Filosofia, criada por Hugo Calhim Cristóvão e Joana von Mayer Trindade. Entende-se por investigação o desenvolvimento e consolidação de novos processos práticos e conceptuais do performer, relacionando-os com ontologia, estética e ética. Por formação a apreensão sistemática e progressiva de novos modos de estar e agir no presente da conceptualidade e no presente da ação performativa. Por criação, exponenciar em simultâneos meios (processos) e fins (criação, conhecimento), unidos com rigor na construção de objetos cênicos não convencionais, visando inovação coreográfica cénica e conceptual. Estes três vetores não são vistos como estanques entre si mas como possuindo complementaridade essencial. Desenvolve regularmente laboratórios de investigação sobre a craft e arte do bailarino/performer com metodologia própria e abordagem singular, marcada por confluência de linguagens entre dança ocidental, dança oriental e teatro físico, com forte componente de dramaturgia e investigação teóricas, conjugadas com valorização da vocação íntima do intérprete e da relação direção- interpretação como central. De 2015 até agora tem sido apoiada pela DGArtes, em 4 projetos pontuais em Dança/Criação/ Edição e 2 apoios sustentados bienais em Dança/Criação/Edição. Sempre com articulação entre criação, investigação, formação e edição. Desenvolve atividade regular e coerente de acordo com a sua missão, estabelecendo parcerias académicas e de investigação (IFFLUP, ISFLUP, ESMAE, CITCEM, UMINHO, ULusófona, FCSH, Fórum Dança, ESADGaliza. ESAP Porto, ESEP, BTeatro, Kale, Espaço do Tempo, HZT, CND, entre outros) e de criação (Festival Circular, Festival Cumplicidades, Festival DDD, Festival Guidance, Festival Contradança, Festival Trama, Festival Materiais Diversos, CCB, Festival CITEMOR, TMP, CCVF, TMSMiranda, CTLOULETANO, TMB entre outros) com entidades chave do panorama cultural nacional, desembocando em Criações e Edições de elevada qualidade e marcadamente singulares. Com dezasseis criações, seis livros editados, múltiplas formações, seminários de investigação e congressos organizados, bem como duas secções/metodologias de pesquisa performativa em ação, cumpre com repercussão efetiva a valorização e dignificação social e artística da Dança enquanto forma de arte insubstituível e enquanto criação de conhecimento por direito próprio. Procura sempre alargar os seus horizontes artísticos e culturais com outros modos de fazer, de pesquisar, de investigar, nomeadamente através de estadias prolongadas em França, Berlim, Índia e Japão, entre outros.
Colaborando com instituições de renome internacional como o Centre National de la Danse Contemporain d’Angers, o Centre National de la Danse Paris, Inter-University Center for Dance Berlin (HZT), Ufferstudios Berlim, Bodyweather Farm Min Tanaka Butoh, Antai-ji Japão, Kyoto Art center Japão, Banaras Hindu University (BHU) /Índia e Patanjali International Yoga Foundation. Bem como estabelece contatos e ligações com artistas de outras áreas e pensadores de renome, grupos de Investigação FCT, ensino superior artístico, sendo Hugo Calhim Cristóvão Membro Integrado no grupo “Raízes e Horizontes da Filosofia em Portugal” do IFFLUP, e Joana von Mayer Trindade lecionando Artes Cénicas Orientais na Licenciatura de Formação de Atores da ULusófona do Porto e colaborando com ESD-IPPL no Mestrado em Criação Coreográfica e Práticas Profissionais. Constituem-se ainda como objetivos: o estudo crítico da evolução das artes performativas como instrumento para vitalizar a prática criativa no presente, entre a tradição e o risco; a recriação aplicada da atividade do bailarino/performer enquanto alguém que age, agindo no que diz respeito à direção, atuação, e criação; a concretização de criações originais e de ações de pedagogia e investigação aplicada; a exploração de outras formas artísticas na sua especificidade técnica, integrando a compreensão da sua diferença precisa na prática performativa; a criação e edição de textos que, pela sua natureza, processo e modo de produção, âmbito ou finalidade, e principalmente qualidade, se enquadrem nos objetivos; a compreensão de que a arte é uma resposta necessária entre um imenso rio de perguntas que nunca se resolvem em definitivo, e que nunca se resolvem senão agora.
Hugo Calhim Cristóvão
Coreógrafo, Encenador, Investigador e Docente. Doutorado em Filosofia (FLUP) e Mestre em Filosofia Contemporânea, com a tese “The Dionysian, Zos vel Thanatos, and the Zoetic Art–Sorcery of Austin Osman Spare”. É Licenciado em Filosofia. É Licenciado em Teatro – Ramos de Interpretação e Direção de Atores (ESMAE-IPP).
Joana von Mayer Trindade
Coreógrafa, Bailarina e Docente. Mestre em Solo, Dance, Authorship – SODA, Universidade das Artes de Berlin UDK/HZT). Licenciada em Psicologia (Universidade Porto), conclui o Curso de Intérpretes de Dança Contemporânea do Fórum Dança e o Curso Essais do CNDC d’Angers sob a direcção de Emmanuelle Huynh.
Juntos são cofundadores do grupo de pesquisa NuIsIs ZoBoP (2004) e criadores de: “She Will Not Live”, “Abbadon”, “VELEDA”, “ZOS (She Will Not Live)”, “Meninas”, “Nameless Natures”, “O céu é apenas um disfarce azul do inferno”, “Da insaciabilidade no caso ou ao mesmo tempo um milagre”, “Mysterium Coniunctionis”, “Dos Suicidados – O Vício de Humilhar a Imortalidade”, “Fecundação e Alívio neste Chão irredutível onde com Gozo me Insurjo”, “Portrait of a Dancer as Velvet”, “Onde Está O Relâmpago Que Vos Lamberá As Vossas Labaredas”, “Suores de Mel e a Morte Não Terá Domínio” e “Fuga Para O Tempo Presente – O Leve Poder Da Lua Apenas Queima Os Olhos”.