© 2026 Teatrão – Companhia de Teatro, Coimbra
Para a sua 110.ª produção, o Teatrão foi buscar o texto seiscentista mais afiado de Molière. Tartufo, o falso devoto que se infiltra no seio de uma família burguesa em ascensão é a metáfora sobre os jogos de poder e a hipocrisia que governa o mundo. Trabalhando a partir de uma popular tradução de Feliciano de Castilho, de 1903, o Teatrão desafiará os nossos públicos a uma hilariante aproximação ao tempo atual, onde tantos Tartufos às claras nos dão a sensação de todos estarmos de olhos vendados.
Orgon, o chefe de uma família burguesa, acolhe em sua casa o pedinte Tartufo, que conhece na igreja. Esta decisão vai transformar por completo o quotidiano da família que percebe as manipulações de Tartufo e tenta fazer ver a Orgon que as intenções do novo hóspede não são as melhores. A preocupação com as aparências e o crescimento dos negócios são agora o foco de Orgon, que proíbe o contacto social de todos, desmarca o casamento já acordado do filho e não percebe as tentativas de sedução do suposto homem de fé à sua jovem esposa. Filho, cunhado, esposa e criada elaboram um plano para desmascarar o intrujão.
M/12
70 minutos
4-10€
Quartas e quintas-feira + dia 18 de dezembro: 19h
Sextas, sábados e estreia: 21h30
Domingos + dias 1, 8, 28, 29 e 30 de dezembro: 17h
Ensaios abertos:
19 e 25 novembro, 21h30
23 e 24 novembro, 19h30
2 de dezembro, 19h
13 de dezembro, 17h
2 de dezembro, 19h
13 de dezembro, 17h
19 de dezembro, 21h30
9, 10, 11, 16, 17 e 18 de dezembro, 10h30
info@oteatrao.com
239 714 013
912 511 302
José Feliciano de Castilho (1870)
Jorge Louraço Figueira, Isabel Craveiro
Isabel Craveiro
Afonso Abreu, Eva Tiago, David Meco, João Santos, Margarida Sousa
Filipa Malva
Jonathan Azevedo
Rui Lúcio
Nuno Pompeu
And Paul
Paulo Abrantes, Mário Canelas
Bruno Simões
Carlos Gago
Isabel Craveiro
Afonso Abreu, Diogo Barbosa, Cátia Oliveira, Eva Tiago
José Baltazar
Fernanda Tomás
Beatriz Antunes
Jonathan Azevedo, Nuno Pompeu
Jonathan Azevedo, Nuno Pompeu, Pedro Fernandes
Alexandra Capelo, Isabel Craveiro
Sofia Cabrita
Catarina Sobral
José António Cunha
Alexandra Capelo
Margarida Sousa, Luís Marujo
Angélica Dantas, Catarina Loureiro, Catarina Silva, Diogo Barbosa, Gabriela Martins, Inês Amaro, Isabella Araújo, Luís Marujo, Mariana Martins, Rodrigo Santos.
Angélica Dantas
A Escola da Noite, Chão de Oliva
© Paulo Abrantes








A primeira versão deste texto estreou a 12 de maio de 1664. Tinha três atos e era intitulada Le Tartuffe ou l’Hypocrite. Por ridicularizar os religiosos, a peça foi proibida no dia seguinte. Só em 1669 o texto voltou à cena, numa versão com cinco atos e o título Le Tartuffe ou l’Imposteur. Esta segunda versão é a mais conhecida e encenada. Da primeira não se conhecia paradeiro, até que em 2010 um académico francês, Georges Forestier, com a cumplicidade de uma professora de liceu, Isabelle Grellet, a reconstituíram para uma montagem escolar. Foi essa versão que a Comédie Française montou em 2022, com encenação de Ivo van Hove. Esse trabalho é um dos pilares em que assenta esta adaptação. As vantagens desta nova versão são, por um lado, a simplicidade do enredo e, por outro, o foco na hipocrisia do devoto Tartufo. O outro pilar desta adaptação é a tradução de 1870 feita por José Feliciano de Castilho. Existem excelentes traduções do Tartufo, nomeadamente a de Regina Guimarães e a de Manual João Gomes. A tradução de Castilho tem duas vantagens: é feita em verso e rima, como o texto original, o que valoriza o ritmo e a musicalidade da peça; e as personagens usam um português relativamente antiquado, que faz as figuras soarem a falso. A adaptação distancia-se assim da imagem da sociedade contemporânea, em direção a uma realidade artificial, que não é daqui nem de agora, mas de sempre. Esta teatralidade mente com todos os dentes.
19 e 25 novembro, 21h30
23 e 24 novembro, 19h30
OMT
21 novembro, 18h
OMT
Molière, pseudónimo de Jean-Baptiste Poquelin, nasceu em Paris, no dia 15 de janeiro de 1622 e foi um dos dramaturgos franceses mais importantes do século XVII.
A sua jornada pelo mundo do teatro oficializou-se em 1643 com a fundação da sua companhia de teatro L’Illustre Théâtre, sendo sol de pouca dura, pois entrou em bancarrota com apenas dois anos no ativo. Devido às dívidas contraídas pelo projeto, Molière é preso. Após este fracasso inicial, entrou na companhia de Charles Dufresne, na qual se tornou um comediante itinerante. Em 1658 regressa a Paris, onde voltou a fazer algumas apresentações bem-sucedidas; foi também nesta altura que se tornou membro da Troupe de Monsieur. Com a ajuda do seu novo mecenas (o irmão do rei), juntou-se a uma companhia local italiana dedicada à comédia dell’arte e, assim estabeleceu-se no teatro Petit-Bourbon, no qual estreou a peça “Les Précieuses Ridicules”, até hoje considerada uma das suas obras-primas, apesar de ter causado bastante controvérsia – reação que viria a ser um presságio para futuros trabalhos de Molière. Em 1662, mudou-se para o Théâtre du Palais-Royal, palco das maiores polémicas da carreira do dramaturgo, e foi nesta época que escreveu “Tartufo”.
O dia da sua morte tornou-se num dos momentos mais enigmáticos da sua história. No dia 17 de janeiro de 1673, “morre” em palco enquanto representava o papel principal da sua última peça, “O doente imaginário”. A vida de Molière terminou, assim, da mesma forma que imaginava as sua obras: com uma ironia que só ele nos poderia proporcionar, até de forma não intencional.